QUERO LOGO
Quero logo tudo o que vida tem,
quero logo fugir e me esconder,
sair e viver,
correr e me perder,
quero logo as coisas do mundo,
o mundo sem coisas,
quero logo e bem logo.
Fabio Caim - 26/05/2004
Angústia
Tenho algo para te dizer,
mas não encontro palavras.
Não me peça nada, por favor,
Posso até estragar tudo,
Mesmo sem saber como.
Quero agora o silêncio,
já que não posso ouvir tua voz.
Li o que escrevestes.
Então sei quem tu és,
pois olhei em teus olhos.
E tua face permanece diante de mim.
Tua voz lateja em minha mente.
E tomas conta do meu ser.
Não me dissestes palavras de amor,
não foi preciso!
Tenho-te dentro de mim,
Sinto meu peito apertado.
Sinto uma vontade incontrolável de chorar,
Mas se o fizer, sentirei as lágrimas queimando minha face.
Faço de ti quem mais amo.
Submeto-me aos desejos que fantasio serem os teus.
Amo-te como se não houvesse mais nada.
Mas como?
Nem sei teu nome.
No meio das minhas noites,
Vens até mim.
Sinto-me falecendo
Não consigo te alcançar.
Estás tão longe!
Estás dentro de mim.
Pat.
impressões nubladas e mágoas são fatos cinzentos, manchados no muro, desenhados em uma porta seca maltratada pelo tempo e corroída por diversas lembranças.
lembranças de crianças descalças e pés cascudos, lembranças de árvores gigantes e matos densos, poltronas enormes e pés balançando ao ar, indo e voltando, como se estivessem voando livres, mas sempre indo e voltando, com o vento a bater em seus rostos e um arzinho gelado a passar por suas pernas.
são tais memórias, já transparentes, que ainda tentam se pregar à porta seca. As grades da casa são pura ferrugem, um roxo escurecido e esfarelado pelo chão. Ainda sobre ela, a casa, pairam nuvens raivosas, mas que demoram a chover, deixam o ar cheio de tensão, as paredes carregadas de estática e os animais nervosos se escondem por entre as folhas velhas, entram correndo no mato e somem. Estão com medo.
dentro dela não mora mais ninguém, mas as pessoas que passam pela rua, olham seu perfil como se nela buscassem almas que ali viveram. Andam apressadas em sua calçada, viram seus olhos, mas não sua cabeça, querem apenas enxergar o mínimo, mas, talvez ver alguma coisa. Sentido mórbido, instinto de sobrevivência, ou simplesmente uma curiosidade normal.
As nuvens uivando. A casa sangra, jorrando um mar de agonia sobre a rua. Um desespero, como se fosse um castigo para a curiosidade de quem olha para ela. Um feitiço maldito de alguém sofrido. O vento da morte precede a chuva iminente.
Das nuvens caem gotas de sangue. O vento traz o cheiro do fim.
As pessoas correm desesperadas à procura de um abrigo que não existe. Choram as lágrimas mais ácidas de suas vidas. De repente, o ar já não existe mais. É impossível fugir.
As pessoas clamam pela redenção.
É a morte deixando o seu lar.
Fábio Caim e Patricia Santos
